Irei começar esse artigo definindo alguns princípios filosóficos, para servir de base para a análise de pensamentos, conceitos e ideologias que iremos abordar no decorrer do texto. Todos esses pensamentos filosóficos servem a diferentes objetivos. A natureza está em movimento, portanto nenhum princípio é neutro. Eles criam impactos na natureza humana, sejam positivos ou negativos. Por isso a importância, tanto de conhece-los, quanto de compreender o que é e o que não é, o que é bom e o que é ruim. Nem tudo é relativo e sempre é conectado a uma verdade, mesmo ela não sendo a Verdade Última em letras maiúsculas.
Comecemos com a segunda parte do pranama do mestre Srila Prabhupada, vindo do oriente para o ocidente, já bem idoso, que define suas autoridades e objetivos de forma bem clara.
nirvisesa-sunyavadi-pacatya-desa-tarine"
Comentário:
Autoridades do pranama: É clara a conexão com autoridades aqui presente, que vem do parampará (sucessão discipular), na figura do mestre de Srila Prabhupada, Bhaktisiddhanta Sarasvati Goswami e seus predecessores, bem como dos Ensinamentos do Senhor Caitanya (O Avatar Dourado), que é fundamentalmente personalista. Ou seja, que nós somos pessoas espirituais eternamente individuais e a Verdade Última (Deus), em última análise também é uma Pessoa. E que nós somos iguais e diferentes dessa Verdade Última. Iguais em qualidade, porém diferentes em quantidade. O objetivo desses ensinamentos é resgatar essa relação amorosa transcendente e pessoal. Nossas relações nesse mundo já demonstram na prática, que a maior fonte de felicidade vem das relações pessoais. Imagina com a Pessoa Suprema...
Objetivos no pranama: A vinda aos países ocidentais para bondosamente difundir essa autoridade amorosa e combater claramente o impersonalismo e o niilismo ou vaziismo, carregado na cultura materialista ocidental.
Quem são esses oponentes filosóficos?
Impersonalismo: Concepção monista da realidade, advogando que nosso eu individual e espiritual é ilusório e que o objetivo em última análise é “aniquilar” esse “eu” e se fundir numa Verdade Última amorfa, e que também a personalidade de Deus é uma manifestação dessa realidade última amorfa. Abrindo assim a interpretação do tipo “somos todos um”, ou “que somos Deus”. Surgem aí grande precedente para distopias morais como: “Se somos Deus, podemos qualquer coisa”.
Niilismo ou vaziismo: (Definição tradicional) Ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência; redução ao nada ou aniquilamento.
Está óbvio que o niilismo culmina em vaziismo, pelo puro esvaziamento de sentido da existência. Portanto fica claro que esses princípios não são neutros, como cito no início, criam um impacto real nos modus operandi do ser humano. Mas como vivemos de forma reativa, com pouca introspecção e filosofia, baseado em sobrevivência, numa sociedade que blefa de todas as formas sobre o que é felicidade, é natural carecermos de capacidade para auto analisarmos os “códigos fontes” desses pensamentos filosóficos, que tanto permeiam nossa sociedade ocidental. Definitivamente não saem do nada, é tudo pensado.
Aqui tento de forma mais clara possível, dentro das minhas humildes limitações, discernir entre princípios eternos e os não perenes, pois eles definem vetores existenciais e destinos dentro do mundo e do universo. Como bons navegantes, creio que seja fundamental saber de onde viemos e para onde vamos.
Essa minha tentativa não é mérito meu apenas, é graças a essas autoridades, que são como bússolas espirituais, que fizeram-me enxergar! Portanto cito a autoridade máxima, a Pessoa Suprema, o Senhor Krishna no Bhagavad-gita, verso 3.27:
ahaṅkāra-vimūḍhātmā kartāham iti manyate"
Krishna revela uma boa e uma má notícia aí. A boa notícia é que somos almas imortais. A má notícia é que nesse mundo da matéria estamos encobertos por um ego temporário, que realmente acha que é o autor último das atividades, mas que na verdade é executado pela influência dos 3 modos da natureza material (equilíbrio ou bondade, movimento ou paixão e inércia ou ignorância). Dura verdade de ser ouvida, não? Pois sempre queremos ser donos de nosso destino.
Por ser pura, a alma, nosso eu espiritual, nada faz no mundo material, mas ela deseja e vibra em três direções e fundamentos básicos, Sat (eternidade), Cit (plena consciência) e Ananda (bem-aventurança ou felicidade plena), pois é composição dela mesma essas três qualidades transcendentais. Chamo isso também de princípio ontológico motivacional. Ignorando esse fundamento, o que observamos no ser humano e em sociedade é a busca desenfreada por essas qualidades de forma externa. As grandes descobertas da medicina para encontrar a “eternidade”, ou o impulso natural do homem por buscar a “plena consciência”, respostas que transpõem seus limites cognitivos, com teses e teorias para um “novo homem” ou simplesmente a busca da “plena felicidade” no desfrute sensorial, onde se confunde o sentido epistemológico de prazer com felicidade.
Nada contra as pessoas que buscam felicidade num bar ou numa boate. Sua busca é genuína, porém ignorando a origem espiritual Sat-Cit-Ananda, elas buscam a felicidade no lugar errado. Na fonte dessa felicidade externa fugaz, mora a própria ressaca embutida. No mundo material, de onde vem a dita felicidade, vem o próprio sofrimento. Ou seja, todos insistem em buscar fora algo que já existe dentro. Eis o mistério!
No infográfico abaixo ilustro essa fonte ontológica da motivação e desejo fundamental. De como ela vem do eu espiritual e vai se externalizando através das necessidades e motivações do corpo físico e psíquico:
Selecione uma Dimensão
Explore as interações da alma embutida no corpo físico. Toque em "Alma Transcendental", no "Escafandro", ou nas camadas baseadas no mapeamento psicológico de Maslow para entender sua dinâmica de frustração versus autorrealização.
Carregando do repositório remoto... Se o arquivo de imagem não carregar, verifique se o arquivo Infografico-alma-e-corpo.jpg está localizado na raiz da branch principal (main/master) do seu GitHub.
Nesse infográfico meu intento não é demonizar de modo algum as necessidades de sobrevivência, afetividade, autoestima e inserção social. Elas foram mapeadas pela psicologia moderna (Maslow), e são necessidades reais para nosso corpo, mente, inteligência e ego (temporário). O problema é que elas são totalmente abaláveis neste mundo a qualquer momento. Uma crise econômica, uma perda de um ente querido, uma doença inesperada, uma guerra, o tempo... São muitas as variáveis. Essas necessidades devem ser perseguidas sim, mas com autocontrole e olhos abertos à realidade. Paralelo a isso devemos buscar por algo maior que nós. Que está além das nossas necessidades particulares. Algo espiritual e inabalável. Isso vai nos imunizar contra os danos que as perdas inevitáveis dessas zonas de necessidade e segurança nos impõe.
Munidos com esses princípios acima, vem o alerta! Existe muita gente boa por aí. Mas não quer dizer que suas boas intenções não possam ser sequestradas por ideologias demagogas contaminadas por natureza inferior, que instrumentalizam necessidades, sentimentos e emoções em prol de um objetivo escuso, carregado de relativismo, niilismo político e ideológico, transformando essas pessoas boas numa espécie de massa intelectual orgânica de manobra. Precisamos ficar alerta!
O que o mundo é hoje não é uma mera consequência aleatória de fatos, existe um fluxo ordenado de pensamento filosófico no decorrer do espaço e do tempo. A forma como pensamos hoje foi criada por filósofos há pelo menos 100 a 1400 anos atrás.
A arte nem sempre foi um produto comercial e impessoal. Na história antiga a arte, a música e a arquitetura eram pontes para a contemplação do belo e do divino. Tanto no antropocentrismo grego, que exaltava o que havia do divino e perfeito no homem, mas sempre como imagem e semelhança dos deuses, quanto na própria contemplação direta da variedade divina e pessoal, representada na arte sacra medieval e renascentista, bem como nas esculturas de deidades e templos védicas do oriente. Dessa forma o divino e o transcendente eram contíguas da realidade humana. O homem não se via apenas como um ser social com uma alma distante, mas como um ser espiritual imortal trafegando temporariamente por uma realidade material e social. Pois a cultura, a arte, a sabedoria e a educação correntes eram meios de acesso a esse escopo divino da realidade: Céu, inferno, planos superiores, intermediários, inferiores e etc.
Dialética Cósmica e Deus Não Dual
Sempre ouvimos um conceito de guerra cósmica em diferentes tradições e escrituras religiosas. Guerra entre principados e potestades, entre deuses do Olympus e titãs, entre devas e asuras. É uma dialética entre duas partes universais: uma teísta ou divina e outra ateísta ou demoníaca. Isso define os arquétipos estéticos do bem e do mal. Do certo e do errado. Apesar desse arquétipo, deve-se entender que Deus como conceito filosófico de Verdade Absoluta é não dual, segundo os Vedas. Ele se manifesta em 3 principais aspectos: Deus em tudo (Brahmam), Deus em todos (Paramatma) e Deus como uma Pessoa última, causa de todas as causas (Bhagavam). Dessa forma ele sustenta toda a realidade. Não há um canto sequer da existência que ele não esteja. Portanto, há duas almas imortais dentro dos corpos: o nosso eu espiritual infinitesimal e o Eu espiritual Supremo (Deus) infinito. Ele mora dentro do coração tanto dos anjos, quanto dos demônios, dos devas quanto dos asuras, dos humanos, quanto dos animais, dos vegetais, quanto dos insetos e assim por diante. Essa é a base moral da igualdade entre todas entidades vivas, independente de sua “carcaça”, espécie ou hierarquia. Princípio tão proferido por grandes mestres espirituais, como Jesus e Caitanya Mahaprabhu, que dentro de uma dialética não histórica, mas atemporal, não materialista, mas metafísica, diz que todos são iguais perante Deus (O não dual).
Fica fácil de entender por que a “equação” filosófica de Marx, da dialética histórica materialista socialista é utópica. Afinal, como pode haver igualdade entre indivíduos dentro de uma dialética material e histórica, se historicamente e materialmente observamos que todos são diferentes, material ou fisicamente? Isso claramente é uma imposição artificial ao conceito de igualdade, e como toda imposição, abre margem para o ditatorial. Vamos voltar a discutir essa filosofia materialista cheia de niilismo ideológico mais para frente.
A igualdade emana de uma dialética transcendente! Esse conceito de equidade metafísica fundamenta inclusive filosofias políticas de grandes nações livres, visto por exemplo, no seguinte trecho da declaração de independência dos EUA: “Consideramos estas verdadeiras como auto evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade.” Esse ponto de vista foi promovido por Abraham Lincoln, que considerou esta Declaração como o alicerce de sua filosofia política. O ex-presidente argumentou que esse princípio serviria de base, através dos quais a Constituição dos Estados Unidos deveria ser interpretada. Podemos verificar que essa declaração não é esvaziada de sentido existencial ou com traços de niilismo político, é sim carregado de conceitos atemporais e imutáveis, que oferecem os princípios básicos para interpretar uma constituição federal ou mesmo a realidade, à luz da transcendência. Levando em consideração o conceito védico citado acima de “Deus em todos” (Paramatma), independente da espécie, ousaria dizer que esse direito inalienável deveria ser estendido para além dos homens, incluindo espécies da criação Divina que também amam e sentem, os animais!
Mas qual é a necessidade de tirar Deus e a transcendência da “jogada” da filosofia moderna? Antes de responder essa questão, precisamos explicar outro conceito védico, mas se faz necessário deixarmos um pouco de lado a teoria Darwinista da Evolução, que considera que estamos no ápice de um processo evolucionário.
Segundo a cosmologia védica, estamos na era de ferro, o inverno cósmico ou Kali Yuga. O universo passa por ciclos de 4 eras repetidamente: era de ouro (Satya), era de prata (Treta), era de bronze (Dwapara) e por fim, a era de ferro (Kali). Assim como os metais que representam as eras, o homem ou mulher de cada era possuíam analogicamente as qualidades desse metal. Por exemplo: a pessoa da era de ouro (Satya) era iluminada, tinha uma duração de vida muito longa e valores espirituais, assim como o ouro tem brilho natural, dura muitíssimo tempo e tem grande valor agregado. Ao passo que o homem da atual era de ferro (Kali) possui as qualidades desse metal: se deteriora facilmente, tem pouco valor moral ou espiritual, tem curta duração de vida, assim como o ferro que enferruja facilmente e não tem quase nenhum valor agregado. Segundo esse princípio védico, não estamos no ápice de nossa evolução, pelo contrário, é certo que de 5000 anos pra cá, desde o começo da era Kali, muita coisa se degradou, principalmente de 100 anos pra cá, desde o início da revolução industrial.
Kali Yuga
O inverno cósmico. A era de ferro, onde a virtude se reduz a um quarto e o egoísmo, a traição e a hipocrisia se tornam generalizados.
Crise de Autoridade e Reação em Cadeia
A degradação dos líderes que deveriam servir de exemplo é o ponto focal para o avanço da era de ferro (Kali). O estopim deste evento foi o corrompimento da classe sacerdotal e governante, que deveriam servir de guias e protetores da sociedade. Fatos históricos que exemplificam esse corrompimento são muito bem narrados no Srimad Bhagavatam, um dos mais importantes compêndios da literatura védica, quando há 5000 anos atrás, o grande rei santo Parikshit Maharaj é desprotegido e traído por um corrupto sacerdote subornado.
Antes da era de Kali o conhecimento era uma coisa só. No oriente o conhecimento teocêntrico que englobava tudo, ciência, artes, liturgias, matemática, astronomia, física, filosofia, religião, organization social e etc, se subdividiu sob muitas interpretações e linhas de pensamento. Mais tarde a filosofia greco-romana, também se subdivide.
Sob as bases da filosofia grega, a justiça romana e a fé judaico cristã, nasce a cultura e civilização ocidental. Dessa base aparece um Deus dual, diferente do Deus não Dual védico. Nesta concepção, Deus possui uma energia oposta a Ele, que faz oposição real a Suas Energias Divinas. Como um “Diabo” que fosse capaz de impor um antagonismo eficiente a Deus. Também surge a ideia paradoxal de que Deus é misericordioso, mas pune seu filho pecador eternamente para o inferno. Esse dualismo extremo cria um processo dialético dentro da própria religião. Onde deveria haver apenas unicidade, também há contraditórios, onde deveria haver apenas amor, o ódio também tem o seu lugarzinho reservado. Deus é o amante e o próprio carrasco.
O homem deixa de transitar por um mundo consciente das leis de ação e reação, como um “adulto existencial”, e passa a ser um filho temeroso com medo das “palmadas” do Deus pai, que toma conta de tudo com um humor policial. Podemos observar nesse tipo de fé uma espécie de “clube dos salvos”, onde quem se rendeu à fé em particular está eternamente salvo e quem não fez isso está condomnado a ir eternamente para o inferno. Não precisamos ir longe para perceber que esse princípio dogmático se encontra em religiões com base islâmica também. Falamos no início do texto que os princípios filosóficos e seus “códigos fontes” criam um impacto real na natureza e mente humanas.
O mestre Srila Prabhupada, dizia ponderadamente: “filosofia sem religião, cria especulação mental árida e religião sem filosofia, cria fanatismo”.
Em nome de religião e sectarismo, muito sangue foi derramado apenas para impor ou afirmar que o “meu” Deus ou fé é superior ao “seu”. A ideia de que Deus, a Pessoa Suprema mora no coração de todos, como fonte da moralidade última e igualdade entre todos, é abandonada e passa a ser um recurso dialético no processo histórico e geopolítico. O resultado prático disso é visto no decorrer da história dos últimos milênios. A invasão dos muçulmanos na Índia para impor o islamismo ao vedantismo, Jesus crucificado em Jerusalém porque ameaçou o estamento religioso politeísta e político vigente naquele momento, templários europeus reconquistando a terra santa em Israel com batalhas sangrentas, pagãos sendo queimados pela “santa” inquisição na idade média e por aí vai... Qualquer pessoa com honestidade e frieza intelectual que observa esse fluxo histórico fica com a “pulga atrás da orelha” em relação às religiões. A “ressaca” disso tudo é um pêndulo que camba em duas extremidades: de um lado pessoas ponderadas, porém ateístas, avessas à religião, de outro lado, pessoas sinceras e apegadas à sua tábua de salvação de uma forma não tão sã.
Arrisco dizer, que os princípios filosóficos das revelações que fundamentaram essas religiões citadas acima, foram alterados, mal interpretados ou simplesmente manipulados por grupos com interesses próprios. Por isso não produzem o equilíbrio necessários para uma convivência pacífica e espiritual entre as civilizações, que deveria se basear na igualdade espiritual entre todos, proferida por grandes mestres, profetas e acharyas autênticos, como Maomé, Jesus, Caitanya, Buda e outros. Diversos concílios, dissidências, falta de uma sucessão discipular iniciática, talvez tenham facilitado esse processo de ruptura com a essência das revelações. Um efeito “natural” da era de ferro, Kali Yuga. Natural entre aspas, pois creio que essa ruptura foi e ainda está sendo pensada...
Tendo isso em vista, “não devemos jogar fora a água que lavou o bebê, com o bebê dentro.” Muitas coisas belas e gloriosas foram criadas e mantidas por essas religiões. A espiritualidade do mundo ocidental nasce nesse cerne. Incontáveis pessoas foram elevadas pela sua sinceridade e relação íntima com a Divindade Suprema por meio dessas crenças. Bondade, piedade, compaixão, tolerância e outras inúmeras qualidades ainda podem ser observadas pelo exemplo pessoal de seus preceptores genuínos e seus seguidores sinceros. A arte, a cultura e a música inspiradas no Evangelho ou no Alcorão nos conectam ao divino até hoje. Minha análise dos pontos negativos da filosofia que dualiza Deus aos extremos, não anula os efeitos positivos e incomensuráveis causados pela fé dos fiéis nessas religiões. Portanto, uma revisão filosófica franca, não significa uma crítica ou a mínima sugestão do fim dessas crenças! Pelo contrário, seria uma forma soberana de perpetuá-las como uma classificação da bondade de Deus, que se revela misericordiosamente para diferentes pessoas em diferentes lugares, momentos e circunstâncias, como parte de uma mesma Verdade Absoluta. Essa Verdade Absoluta é incomensuravelmente grande para ser propriedade de alguém ou de alguma religião. Se alegamos isso, tiramos o caráter Absoluto e autoevidente dessa Verdade Última.
Deus é o “Pai do bom senso”. Ele é liberal e independente, permitindo que possamos agir com livre arbítrio, mesmo que isso signifique interpretá-Lo sob a ótica de nossas paixões ou simplesmente agir como se Ele não existisse. Ele nunca vai deixar de manter o universo e se relacionar com seus devotos amorosos em seus corações, como não vai deixar de fazer chover nas pedras, assim como mora no coração dos “demônios” ou materialistas. Ele é imparcial e igual para com todos segundo a conclusão Védica. Portanto Ele diz no Gita, 9.29:
ye bhajanti tu māṁ bhaktyā mayi te teṣu cāpy aham"
Comentário do mestre Srila Prabhupada, no Bhagavad-Gita como Ele É, para este verso:
“Aqui, talvez alguém conteste que se Kṛṣṇa (Deus) é igual com todos e ninguém é Seu amigo favorito, então, por que Ele tem um interesse especial pelos devotos que sempre se ocupam no Seu serviço transcendental? Mas isto não é discriminação; é natural. Qualquer homem neste mundo material pode ser muito dado a fazer caridades, mas ele tiene um interesse especial por seus próprios filhos. O Senhor afirma que toda entidade viva — em qualquer forma — é Seu filho, e por isso Ele provê a todos com um abundant suprimento das necessidades da vida. Em suma, Ele é como uma nuvem que derrama chuva por toda a parte, não importa se vai cair na pedra, na terra ou na água. Mas aos Seus devotos Ele dedica uma atenção especial. Esses devotos são mencionados aqui: eles estão sempre em consciência de Kṛṣṇa, e por isso estão sempre transcendentalmente situados em Kṛṣṇa. A própria expressão “consciência de Kṛṣṇa” sugere que aqueles que estão nessa consciência são transcendentalistas ativos, situados nEle. Aqui, o Senhor diz distintamente que mayi te: “Eles estão em Mim”. E naturalmente como resultado, o Senhor também está neles. Isto é recíproco. Isto também explica as palavras ye yathā māṁ prapadyante tāṁs tathaiva bhajāmy aham: “Quem se rende a Mim, na mesma proporção recebe os Meus cuidados”. Existe esta reciprocidade transcendental porque tanto o Senhor quanto o devoto são conscientes. Quando um diamante é encravado num anel de ouro, o anel fica muito bonito. O ouro é valorizado, e ao mesmo tempo o diamante é valorizado. O Senhor e a entidade viva brilham eternamente, e ao inclinar-se para o serviço do Senhor Supremo, a entidade viva parece ouro. O Senhor é um diamante, e essa combinação é muito bonita. As entidades vivas num estado puro chamam-se devotos. O Senhor Supremo torna-Se devoto de Seus devotos. Se uma relação recíproca não está presente entre o devoto e o Senhor, então, não há filosofia personalista. Na filosofia impessoal, não há reciprocidade entre o Supremo e a entidade viva, mas na filosofia personalista, sim.
Dá-se frequentemente o exemplo de que o Senhor é como uma árvore-dos-desejos, e tudo o que se quer desta árvore Ele fornece. Mas aqui a explicação é mais completa. Aqui se declara que o Senhor é parcial com os devotos. Esta é a classificação da misericórdia especial do Senhor para com os devotos. Ninguém deve considerar que a reciprocidade do Senhor está sob a lei do karma (ação e reação). Ela pertence à plataforma transcendental em que agem o Senhor e Seus devotos. O serviço devocional ao Senhor não é uma atividade deste mundo material; ele faz parte do mundo espiritual, onde predominam a eternidade, a bem-aventurança e o conhecimento.”
Deus se apresenta aí como Krishna, que significa “O Todo Atrativo”. Ele tem muitos nomes em diferentes religiões de acordo com seus diferentes atributos transcendentais e divinos. Portanto não se deve pensar que Prabhupada é sectário em se referir a Deus como Krishna. Afinal, não vamos tirar o caráter Absoluto de Deus com suas múltiplas manifestações e nomes transcendentais.
Muito bem explicado a “estética” da relação de Deus com seu devoto, que transcende, lugar, momento, religião, circunstâncias históricas, ação e reação, Srila Prabhupada nos dá luz para explicar a imparcialidade de Deus para com todos e a Sua parcialidade com seus devotos, que nasce da relação pessoal e amorosa entre Eles. Em absoluto isso não quer dizer que em Sua Imparcialidade, A Divindade Suprema vá punir quem não se relaciona de forma amorosa com Ele. O Senhor é como uma Árvore dos Desejos que está suprindo a todos, independente se é devotado ou não a Ele. Vale ressaltar: mesmo que o indivíduo não se relacione com Deus por meio de alguma metodologia religiosa ou espiritual, Esta Pessoa Suprema continua morando no coração deste indivíduo. Essa é uma anatomia real, a própria base da vida e da moralidade, corroborado pelas escrituras e pelos sábios que estudaram a diferença entre matéria e espírito.
Então pode-se perguntar: quem são as pessoas que se relacionam e as que não querem se relacionar com Deus?
Krishna (Deus) no capítulo 7 do Bhagavad-Gita, faz uma referência às classes de pessoas que se aproximam Dele e as classes de pessoas que não querem se aproximar dele.
VERSO 14: Esta Minha energia divina, que consiste dos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. But those who have surrendered unto Me can easily cross beyond it.
VERSO 15: Os descrentes que são grosseiramente tolos, os que são os mais baixos da humanidade, aqueles cujo conhecimento é roubado pela ilusão e os que compartilham da natureza ateísta dos demônios, não se rendem a Mim.
VERSO 16: Ó melhor entre os Bhāratas, quatro classes de homens piedosos passam a Me prestar serviço devocional — o aflito, o que deseja riquezas, o inquisitivo e o que busca conhecer o Absoluto.
VERSO 17: Destes, aquele que tem conhecimento pleno e está sempre ocupado em serviço devocional puro é o melhor. Pois Eu lhe sou muito querido, e ele é querido por Mim.
VERSO 18: Todos esses devotos são sem dúvida almas magnânimas, mas aquele que cultiva o conhecimento acerca de Mim, Eu o considero como sendo tal qual Eu mesmo. Ocupando-se em Me prestar serviço transcendental, ele com certeza Me alcançará, e esta é a meta mais elevada e perfeita.
Primeiramente fica claro como esse mundo material temporário é divino, porque pertence a Deus (“essa minha energia divina”) e por ser regido pelos 3 modos da natureza, bondade (equilíbrio), paixão (movimento), e ignorância (inércia), é quase impossível de transpô-la, a não ser que tenhamos a ajuda Pessoal de Deus, nascida da aproximação devocional entre nós e Ele. Pessoas piedosas que entendem que Deus é a fonte de tudo, se aproximam Dele para satisfazer seus desejos. Mesmo a teologia da prosperidade é corroborada no verso 16, com os que buscam riqueza nessa relação transcendente. O resultado disso é a inevitável purificação da existência do fiel, saindo assim de uma relação interesseira para uma relação imotivada e imaculada, rumo a meta mais elevada e perfeita: Sat-Cit-Ananda (eternidade, plena consciência e bem-aventurança plena).
Ao passo que no verso 15, Krishna (Deus) define algumas categorias de mentalidade de pessoas que não se aproximam Dele, os descrentes (duṣkṛtinah). Srila Prabhupada além de traduzir os termos em sânscrito, faz um comentário extenso sobre essas categorias, porém vou resumir: o mūḍhāḥ (o tolo), está ocupado apenas em trabalho árduo para patrões enganadores, em troca de quase nada e de algum gozo sensorial efêmero, ele acredita que a felicidade vem apenas do consumismo e da satisfação sexual. O narādhamāḥ (o mais baixo dos homens), um homem “animalesco”, que apesar de agir na plataforma social, às vezes até em posição política e de liderança, age como se não houvesse sentido existencial em suas ações, produzindo um padrão exemplar baixo, com vícios e hábitos corruptos. Os māyayāpahṛta-jñānā (aquele cujo o conhecimento é roubado pela ilusão), são os pensadores, cientistas ou filósofos materialistas, que interpretam as escrituras de forma especulativa, fora de uma sucessão discipular autorizada e que desenvolvem seus raciocínios e teorias com uma base de pensamento relativista desconectado do realismo espiritual e da Verdade Absoluta (Deus), o resultado disso é uma educação niilista que não orienta o ser humano para sua essência e sim para um abismo ilusório desprovido de sentido existencial e eterno. Por fim, o āsuraṁ bhāvam (aqueles de natureza ímpia ou demoníaca). É o ateísta assumido, que inveja a Divindade Suprema, simplesmente, porque de uma forma consciente ou não, quer estar no lugar dEle, só que de uma forma pervertida ou escusa, com poder e controle, potencialmente ditatoriais.
No capítulo 16, intitulado “As Naturezas Divina e Demoníaca”, Krishna aprofunda as qualidades que as pessoas piedosas procuram desenvolver e o resultado subsequente desse desenvolvimento. Bem como, Ele descreve mais sobre a natureza demoníaca e o resultado de sua conduta ímpia. É importante frisar sobre a tradução “politicamente incorreta”, que Srila Prabhupada dá para o termo asurah ou duskritnah como demônios, pessoas demoníacas, ímpias e descrentes, para definitivamente tirar da ideia quase que esteticamente mitológica e etérea, de um demônio com chifres num arquetípico inferno e trazer para a realidade, como uma mentalidade, um paradigma existencial e social, que criam um impacto pragmático no mundo e na vida real em sociedade. Vamos aos versos:
Devemos abrir nossos corações e mentes para os princípios metafísicos da existência, pois é dito que toda consequência grosseira vem de uma causa sutil. A importância de escutar essas autoridades espirituais com honestidade intelectual, como princípios das manifestações materiais e psíquicas, traz o divino e transcendente para uma realidade prática. Com essa sequência de versos acima, observamos a base psicológica das naturezas divinas e ímpias, os princípios construtivos e os tóxicos que encontramos na nossa realidade psicossocial do dia-a-dia.
Para analisarmos as revelações de Krishna com o pé no chão e sem proselitismo, gostaria de evocar outro conceito védico sobre a localização cosmográfica e psicográfica dessas duas naturezas no decorrer dos ciclos das 4 eras, citadas no texto acima. Segundo os Vedas, na era de ouro (Satya yuga), as naturezas divina e demoníaca viviam em sistemas planetários diferentes. Na era de prata (Treta yuga), as duas naturezas passaram a residir no mesmo sistema planetário. Na era de bronze (Dwapara yuga), as duas naturezas passam a residir no mesmo planeta e numa mesma família. Por fim, na era de ferro (Kali yuga), as naturezas divinas e demoníacas habitam o mesmo corpo ou pessoa.
Por isso a importância de contextualizar o momento histórico que Krishna fala o Bhagavad-Gita, no final da era de Dwapara, onde as forças do bem e do mal estavam no mesmo planeta, represented por dois lados de uma mesma família prestes a entrar em guerra. O lado ímpio ou demoníaco, representado pelo ditador Duryodhana e seus irmãos. Usurpadores que tinham se apossado do governo, expulsado e exilado o administrador legítimo, seu próprio primo Yudhisthira, revogado a constituição e imposto violentamente a lei marcial. Do outro lado a natureza divina, Yudhisthira e seus piedosos irmãos Pandavas, que representavam o interesse do povo e tinham o direito legítimo de governar a antiga e continental Bharata Varsa, sob princípios moralmente espirituais.
Krishna, Deus, estava presente neste momento “disfarçado” como ser humano, rei de uma província e primo da família que estava dividida. Ele, como já foi dito acima, “Pai do bom-senso” e uma verdadeira “Árvore dos Desejos”, afirmou que não iria participar diretamente na batalha lutando. Mas que daria para os dois lados da família a escolha para decidir entre Ele como um simples condutor de quadriga ou seu próprio exército. Duryodhana, com sua ambição escolheu o incrível exército de Krishna, ao passo que Arjuna, o irmão e general de Yudhisthira, escolheu Krishna como condutor de sua carruagem.
Nessa escolha se desvela algo muito importante e significativo, sobre a intenção ontológica das duas naturezas (divina e demoníaca) e o caráter humilde e renunciado da Divindade Suprema. A natureza ímpia ou demoníaca, sempre vai querer desfrutar das energias de Deus, representado pelo exército de Krishna, ao passo que a natureza divina sempre vai querer desfrutar da companhia pessoal de Deus, mesmo que isso signifique renunciar a algum poder, no caso, o bélico e correr alguns riscos. Nessa relação interpessoal, a Divindade Suprema dá um exemplo de renúncia e humildade, se convertendo em devoto de seu devoto, como um simples vassalo, representado por Krishna como condutor da carruagem de Arjuna na batalha. O que se ganha em troca é uma eterna relação estática devocional e a guia transcendental da Divindade Suprema. Em sã consciência, o que se pode querer mais num mundo onde as energias são temporárias? A energia ou o Energético?
O conhecimento revelado na forma do Bhagavad-Gita, que significa “A Canção Suprema”, definitivamente não é uma alegoria, é um fato histórico. Existem muitos indícios arqueológicos na antiga Deli, Índia, lugar onde aconteceu este evento. Assim como em outros lugares no mundo, que houve alguma revelação do conhecimento divino, Kurukshetra se tornou um lugar sagrado porque lá o conhecimento transcendental também foi restabelecido. Como Krishna mesmo fala no capítulo 4 do Gita:
VERSO 1: Ensinei esta imperecível ciência da yoga ao deus do Sol, Vivasvān, e Vivasvān ensinou-a a Manu, o pai da humanidade, e Manu, por sua vez, ensinou-a a Ikṣvāku.
VERSO 2: Esta ciência suprema foi assim recebida através da corrente de sucessão discipular, e os reis santos compreenderam-na desta maneira. Porém, com o passar do tempo, a sucessão foi interrompida, e portanto a ciência como ela é parece ter-se perdido.
VERSO 3: Esta antiquíssima ciência da relação com o Supremo é falada hoje a você por Mim porque você é Meu devoto bem como Meu amigo e pode, portanto, entender o mistério transcendental que há nesta ciência.
Agora o conhecimento chega até nós protegido por uma rígida sucessão discipular, na qual essa pessoa que vos fala faz parte. Meu intento aqui é passar isso adiante de forma intacta e conectado à realidade que nos rodeia. Qual é a nossa realidade? Como vimos, na era de ferro, a atual era de Kali, a realidade psíquica é um pouco mais delicada. As naturezas divina e demoníaca moram dentro da mesma pessoa. A “dialética cósmica” entre forças antagônicas se dá dentro de nós. “Anjos” e "demônios" dividem o mesmo espaço. Existe um provérbio índio americano que ilustra bem esse fato psíquico. “Dentro de nós há dois cachorros: um cruel e mau e outro muito bom. Os dois estão sempre brigando. O que ganha a briga é aquele que alimentamos mais frequentemente.”
Qual Natureza Você Está Alimentando?
Inspirado nas diretrizes comportamentais e ontológicas do Capítulo 16 do Bhagavad-gītā, este teste analisa de forma sutil o paradigma existencial que governa suas ações diárias nesta Era de Kali.
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Seu Perfil Predominante
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Não existe mais um núcleo bom e um núcleo ruim somente, como um roteiro novelesco em um teatro existencial. Isso tem muito sentido hoje em dia. Podemos observar pessoas piedosas tendo os seus momentos de raiva e degradação, bem como pessoas de mau caráter, tendo lapsos de arrependimento e bondade. Não dá pra colocar todo mundo num quadrado. Mas com as referências dadas pelas escrituras, temos um parâmetro para medir o nosso estado psicológico. Se estamos vibrando num estado mental mais divino ou mais ímpio. Podemos também, com cautela e sem julgamentos áridos, aplicar essa medida nos outros, na sociedade, nas ideias, na filosofia, e seus fins. Mas primeiramente o foco dessa análise sempre deve ser nós. Como disse Ghandi: “seja a mudança que você quer ver no mundo”.
Também não devemos negar que esse antagonismo ou dialética não exista mais em diferentes camadas da existência, seja no campo das ideias, no campo da filosofia, no campo social ou no campo da cultura. Uma das características da era de Kali é a demagogia, aquilo que vem disfarçado com entornos morais, mas com intenções escusas. Portanto, as guerras “espirituais” não são mais bélicas e sim no campo das ideias, da filosofia e da economia, com impactos reais no plano material e social.
Voltando à questão: Qual é a necessidade de tirar Deus e a transcendência da “jogada” na filosofia moderna? Esse propósito já está embutido dentro da natureza psíquica ímpia ou demoníaca. “Confundidos pelo falso ego, força, orgulho, luxúria e ira, os demônios passam a invejar a Suprema Personalidade de Deus, que está em seus próprios corpos e nos corpos dos outros, e blasfemam contra a religião verdadeira.” Gita, 16.18. De certa forma essa “invejinha” está dentro de todos nós em algum nível, quando tentamos controlar e nos assenhorear da energia material. Quanto mais poder, cobiça, falso prestígio, ira, luxúria (falsa identificação corpórea), nos tornamos mais suscetíveis ao “lado negro da força”, à ilusão que nasce dessa natureza ímpia. No “mundão” temos várias gradações desse tipo de inebriamento.
Vamos a um dado e às gradações desse inebriamento. Se prepare para descer no mundo sem filtros das “entranhas” da era de Kali Yuga! Faça uma pesquisa rápida no Google e pasme com o poder da cobiça humana. Mais de 80% da riqueza do mundo está nas mãos de 1% da população. Isto é, a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes.
“Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis”.
— Mayer Amschel [Bauer] Rothschild
“Refugiando-se na luxúria insaciável e absortos na presunção própria do orgulho e do falso prestígio, os demoníacos, assim iludidos, estão sempre comprometidos com o trabalho sujo, atraídos pelo impermanente.” Gita, 16.10.
“Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e o comércio e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão”.
— Declaração do pres. americano James Garfield, 1881
Poucas semanas após proferir estas palavras, dirigidas aos moneychangers, o presidente Garfield foi misteriosamente assassinado.
Para podermos entender melhor quem são os moneychangers (ou argentários), é necessário retornar no tempo até cerca de 200 A.C., quando pela primeira vez tem-se registro da “usura”. Entre as várias definições do Aurélio para usura encontramos juro exorbitante, exagerado, lucro exagerado, mesquinharia. Dois imperadores romanos foram assassinados por terem pretendido implantar leis de reforma limitando a propriedade privada de terras ao máximo de 500 acres e liberando a cunhagem de moedas, que era feita pelos especuladores. Em 48 A.C., Júlio César recuperou o poder de emitir moeda, tornando-o disponível para qualquer um que possuísse ouro ou prata. Também acabou assassinado. Em seguida, as pessoas comuns perderam suas casas e seus bens, da mesma forma como temos assistido acontecer na crise americana das hipotecas.
Na época de Jesus, há dois mil anos, o Sanhedrin (a Suprema Corte da antiga Israel) controlava o povo através da cobrança de taxas representadas pelo pagamento de meio shekel. Vários historiadores estimam que os cofres dessa corte continham vários milhões de dólares em dinheiro de hoje. O povo judeu, totalmente oprimido e controlado pelo Sanhedrin, vivia escravizado pelos dogmas do sistema jurídico-religioso imposta por esses líderes. Como todos sabemos, Jesus foi o primeiro a ousar desafiar esse poder e expor a conduta sacrílega de Israel e também acabou morto na cruz.
Nos séculos seguintes, os moneychangers continuaram a expandir a arte da usura em todos os segmentos da vida, criando expansões e contrações financeiras, de geração em geração enfrentando monarcas e líderes políticos que queriam erradicá-la. Sempre em vão. A cada bem-sucedida (e rara) tentativa de eliminá-la, a usura voltava com mais força ainda, respaldada pela ganância e o poder dos fortes e ricos contra os fracos e pobres. Na Idade Média, o Vaticano proibiu a cobrança de juros sobre os empréstimos, com base nos ensinamentos e na doutrina eclesiástica de Aristóteles e São Tomás de Aquino. Afirmou que “o propósito do dinheiro é servir à sociedade e facilitar a troca de bens necessária à condução da vida”. Os argentários usavam os juros para praticar a usura, que hoje é consagrada por lei através da prática bancária. Já naquela época, vários religiosos e teólogos condenavam a escravização econômica resultante da usura mas como podemos observar a situação mudou muito pouco nos últimos 500 anos.
Na medida em que a usura foi se instalando em todas as camadas sociais, os moneychangers foram ficando cada vez mais ousados em suas manipulações financeiras e foi assim que surgiu o famigerado conceito do fractional reserve lending, ou “empréstimo baseado em reserva fracional” ou “empréstimo sem cobertura ou lastro”. Embora de enunciado complexo, a prática é muito simples. Significa emprestar mais dinheiro do que se tem em caixa e transformou-se na maior fraude de todos os tempos, principal responsável pela vasta pobreza que assola o mundo até hoje e pela redução sistemática do valor do dinheiro. A descrição dos economistas sobre os chamados “ciclos econômicos”, nada mais é do que a identificação dos períodos de expansão e retração determinados pelos bancos em todo o mundo, através do fractional reserve lending. Eles simplesmente adotaram as regras do passado e continuaram a praticá-las até hoje.
A prática do “empréstimo sem lastro” continuou se expandindo antes mesmo do surgimento dos bancos, alimentada pelos ourives e mercadores de ouro e prata, que guardavam os metais nobres da população em custódia para não serem roubados. Logo esses negociantes – na realidade meros agiotas – perceberam que a maioria das pessoas morria e não voltava para buscar seus bens, legando-os à herança familiar. Foi quando começaram a emprestar dinheiro a juros, geralmente em quantias muito superiores às que possuíam guardadas em custódia. O recibo da custódia foi provavelmente o primeiro embrião do dinheiro de papel que temos hoje, pois com ele, a pessoa podia adquirir mercadorias e bens no grande mercado. Com a contínua expansão desse negócio ilícito e usurário, logo os moneychangers puderam abrir lojas específicas para empréstimos, advindo daí a origem dos bancos modernos.
O primeiro banco central de um país a praticar o fractional reserve lending, ou FRL foi o Bank of England (Banco da Inglaterra), constituído in 1694 e de natureza privada. Era controlado por acionistas fraudulentos e mal-intencionados que utilizaram o mote “people’s bank” (banco do povo), para praticar toda sorte de fraudes visando unicamente o lucro. As dívidas com o Banco da Inglaterra de centenas de gerações posteriores, representadas ou pela própria monarquia inglesa ou pelo governo, foram asseguradas através da criação de taxas impostas à população, que viriam a se transformar no Imposto de Renda como hoje o conhecemos. O modelo do Banco da Inglaterra rapidamente se transformou no modelo para os bancos centrais de todos os países no mundo atual. Os agiotas descobriram que é muito mais lucrativo emprestar para monarcas e governos do que para cidadãos comuns. Através da dívida, tornavam-se literalmente soberanos de nações inteiras.
Em suma: os argentários colocavam um banco privado a cargo de todas as finanças e operações econômicas de um país, o que equivale a entregar a nação a uma organização mafiosa que controla a economia com a finalidade de lucro e assim mantém a população totalmente refém de suas políticas financeiras.
A necessidade de tirar Deus e o divino da jogada na linha do tempo da história humana não é por acaso, veja que os conceitos filosóficos aristotélicos e os espirituais de São Tomás de Aquino, já haviam frustrado o avanço desse monetarismo fraudulento disfarçado de liberalismo econômico na idade média. Essa ruptura começa a ganhar força no iluminismo nos séculos XVII e XVIII. Um novo antropocentrismo ascende, mas sem o aspecto do homem como imagem e semelhança del divino, como foi o grego, mas sim com a figura do homem e seus desejos particulares como centro apenas. Seus princípios filosóficos: ir contra a dominação ideológica da igreja, implantação dos 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário), liberalismo político, “racionalismo” e anticlericalismo. Em tese é muito bonito, mas daí se armaria a infraestrutura sociopolítica, seccionada, apartada de conceitos espirituais e metafísicos. Uma estrutura ainda mais suscetível à corrupção por forças “invisíveis” do poder de influência e controle desses monetaristas, os moneychangers emergentes, essa é a nossa experiência na prática hoje convivendo com esse modelo implantado no Brasil. A corrupção e a mão “invisível” influenciam algum dos 3 poderes, se não, 2 ou até 3 deles.
A sabotagem contra o legado divino ou o que restava dEle na superestrutura organizacional sociopolítica vigente começa a ficar clara quando iluministas proclamam aos 4 ventos que “o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”. Em nome de uma pseudoliberdade aconteceu um verdadeiro derramamento de sangue. Em poucos anos de revolução francesa se matou o equivalente a 4 séculos de inquisição. É importante frisar essa revisão histórica.
No início do século XVIII, cerca de 50 anos depois que o Banco da Inglaterra já estava operando nos modelos de banco central com metodologias fraudulentas, um alemão chamado Amshel Moses Bauer, ourives e agiota que vivia em Frankfurt, na Alemanha, começou um negócio a que denominou de Rothschild. O negócio prosperou e em 1743 ele mudou seu próprio nome para Amshel Moses Rothschild. Ele tinha cinco filhos e, ao atingirem a maioridade, ele enviou cada um a uma capital comercial da Europa. O mais velho, Amshel, ficou em Frankfurt; Solomon foi para Viena; Nathan para Londres, Jacob para Paris e Carl para Nápoles. Assim foram plantadas as sementes que permitiram à mais poderosa e rica família da história do mundo reinar nos séculos seguintes da evolução da humanidade, com o único propósito de lucro e poder, seja qual for o custo. Gerações seguidas dos Rothschild e seus correligionários exercem – e continuam exercendo – poder sobre a sociedade mundial, utilizando-se da antiga prática da usura e do fractional reserve lending.
Já donos de uma fortuna incalculável, os Rothschild se envolveram vigorosamente nos financiamentos ao governo inglês para as colônias da América, acabando por indiretamente causar a independência americana quando restringiram o crédito e aumentaram salgadamente as taxas cobradas aos pilgrims. Mesmo após a independência, logo implantaram o modelo de banco central no Novo Continent, para expandir ainda mais os seus lucros. Durante a primeira metade do século XIX, pelo menos três vezes os opositores do sistema agiotário lograram êxito em fechar o banco, mas ele sempre ressurgia por influência política. Lincoln rejeitou a oferta da criação de um banco central particular, tornando-se inimigo figadal da família e acabou assassinado a tiros num teatro. Investigações sobre o crime revelaram que o assassino era membro de uma sociedade secreta cujo nome jamais foi revelado pois vários altos funcionários do governo americano eram membros.
Com seus cinco filhos firmemente encastelados em todos os centros financeiros da Europa, a família Rothschild logo ascendeu à posição de mais rica família do planeta. Esta situação persiste até hoje, embora eles professem uma postura de discrição, avessa à mídia e à divulgação. Nenhuma família ou grupo empresarial possui tanto poder e controle financeiro em todos os países do mundo como os Rothschild. E isto há 250 anos.
“O ser demoníaco pensa: “Tanta riqueza eu tenho hoje, e vou ganhar mais conforme meus planos. Tenho tanto agora e isto aumentará mais e mais no futuro. Matei esse meu inimigo, e meus outros inimigos também serão mortos. Eu sou o senhor de tudo. Eu sou o desfrutador. Sou perfeito, powerful e feliz. Sou o homem mais rico, rodeado por parentes aristocráticos. Não há ninguém tão poderoso e feliz como eu. Executarei sacrifícios, farei alguma caridade, e com isso ficarei contente”. Dessa maneira, eles são iludidos pela ignorância.” Gita 16.13-15.
Sua fabulosa fortuna foi conseguida através da prática do fractional reserve lending (“empréstimo sem lastro”), que consistia em multiplicar o dinheiro a partir das vastas somas de dinheiro depositadas pelas pessoas em suas casas de custódia (brokerage and escrow houses) espalhadas pela Europa através do empréstimo de dinheiro de papel a monarcas e governos. Uma de suas práticas mais determinadas era a de financiar os dois lados de uma guerra, garantindo assim, no mínimo, a duplicação de seus lucros com os juros cobrados, vencesse quem vencesse.
Famílias Dinásticas
As 14 principais dinastias: Rothschild, Astor, Bundy, Rockefeller, Collins, Van Duyn, Onassis, Li, DuPont, Russell, Freeman, Cavendish, Merovingia e Bush.
Os moneychangers não se aliavam a determinado partido ou tendência política; para eles só existia a finalidade do lucro. Em algum tempo, a família Rothschild tomou conta de todos os bancos centrais do mundo – voltados unicamente para o lucro e não para a administração da economia dos seus respectivos países – e com a inteligente operação de sua inesgotável fortuna tornaram-se agentes determinantes na criação dos Estados Unidos da América, que viria a se tornar o país mais rico e poderoso do mundo. Não se trata de mera coincidência, pois foi a opressão inglesa sobre o Novo Mundo com a cobrança de taxas pelo Banco da Inglaterra que acabou por desencadear a revolução que criou os EUA.
Nos quase 200 anos que se passaram entre a independência americana e a criação do Federal Reserve Bank (Banco Central dos Estados Unidos) pela família Rothschild, popularmente conhecido como “Fed”, várias vezes tentaram controlar a emissão de moeda nos EUA. Em cada tentativa, eles procuraram estabelecer um banco central privado, operando apenas com a finalidade de lucro e não para administrar ou proteger a economia americana. Cada uma dessas tentativas até 1913 foi oposicionada por políticos decentes e honestos, a maioria dos quais acabou assassinada por encomenda dos moneychangers.
O “Fed” - Banco Central Americano, começou a operar com cerca de 300 pessoas e outros bancos que adquiriram quotas de US$ 100.00 (a empresa é fechada, não negocia ações em bolsa) e se tornaram proprietários do Federal Reserve System. Criaram uma mastodôntica estrutura financeira internacional com ativos incalculáveis, na casa dos trilhões de dólares. O sistema FED arrecada bilhões de dólares em juros anualmente e distribui os lucros aos seus acionistas. Soma-se a isso o fato de que o congresso americano concedeu ao FED o direito de emitir moeda através do Tesouro Americano (Dept. of the Treasury) sem cobrança de juros. O FED imprime dinheiro sem lastro, sem qualquer cobertura, e empresta-o a todas as pessoas através da rede de bancos afiliados, cobrando juros por isso. A instituição também compra dívidas governamentais com dinheiro impresso sem lastro e cobra juros ao governo americano que acabam incidindo sobre as contas do cidadão comum pagador de impostos.
O Federal Reserve Bank (Banco Central Americano) é, na realidade, a ponta-líder de um conglomerado de bancos. O sistema FRB permite aos bancos não ter lastro em caixa equivalente aos depósitos dos clientes, vale dizer, se todos os correntistas resolvessem sacar o seu dinheiro o banco não teria como pagá-los, como aconteceu no crash da bolsa de Wall Street in 1929, do qual os moneychangers foram os únicos beneficiários.
Desta forma, se o Fed adquirir, digamos, US$ 1 milion em títulos, este valor se transformará automaticamente em US$ 10 milhões, do nada, sem qualquer lastro ou cobertura. O Fed simplesmente aciona sua gráfica e “imprime” os outros US$ 9 milhões e começa a emprestar o dinheiro a juros no mercado, através da rede bancária comercial. Assim, o banco central americano cria 10% do total desse dinheiro novo e os demais bancos criam os 90% restantes. Isto expande a quantidade de dinheiro em circulação e amplia o crédito e o consumo, levando as pessoas a comprarem mais e gastarem mais, inflando as estatísticas de crescimento nacional. Mas a verdadeira intenção desta operação é mais sinistra. Pretende o controle absoluto sobre a economia. Para reduzir a quantidade de moeda circulante e provocar uma recessão, o processo é simplesmente revertido. O Fed vende os títulos ao público e o dinheiro sai dos bancos dos adquirentes. Os empréstimos têm que ser reduzidos em dez vezes o valor da venda porque, como vimos, o Fed criou US$ 9 milhões do nada.
Desde a proclamação da independência americana que políticos sérios e comprometidos com o desenvolvimento e o bem-estar da população da América se insurgiram contra os moneychangers. Em carta dirigida ao secretário do Tesouro, Thomas Jefferson disse em 1802:
“Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que exércitos armados. Se o povo americano autorizar bancos privados a controlar a emissão de sua moeda, primeiro através da inflação e depois pela deflação, os bancos e as grandes corporações que crescerão em volta deles gradualmente controlarão a vida econômica das pessoas, deprivando-as de todo o seu patrimônio até o dia em que seus filhos acordem sem-teto, no continente que seus pais e avós conquistaram”.
— Thomas Jefferson, 1802
Basta examinarmos o sistema de indicação política do presidente do Fed. O chefe do Fed é indicado pelo presidente da república mas tem mandato de 14 anos, separado da autoridade eleita pelo povo, muitas vezes perpetuando-se no cargo. Notórios presidentes do banco como Paul Volcker e Alan Greenspan constituem os verdadeiros “xerifes” da economia americana, e, por conseguinte, exercem influência planetária.
O modelo de banco central criado pelos moneychangers nos Estados Unidos, com fundamento no pioneiro Bank of England, ganharia o mundo no século XX e hoje todos os países do planeta possuem um banco central igual ou similar (FMI, Banco Mundial, BIRD), baseado num sistema de impostos como garantia do dinheiro que emprestam, a juros, aos governos de seus próprios países, literalmente mantendo esses governos e a população reféns de suas gananciosas políticas monetárias, expandindo e contraindo o crédito como melhor lhes apraz.
Hegel inspirado pela teoria de Kant, que dizia que o mundo só é conhecível pela ação do homem e jamais pelo seu pensamento puro, criou a teoria da “Dialética Histórica”, um processo intelectual de obtenção de conhecimento, que se dá entre o conflitos de ideias na história para se chegar a uma conclusão de uma ação ideal a tomar. Já Feuerbach, cria de Hegel, nessa altura, dizia que Deus é uma criação do homem para se autoconhecer, fruto dessa dialética histórica ou conflito de ideias.
Essas são as bases filosóficas que um sujeito chamado Karl Marx usou para pôr em prática suas ideias que mudaram o mundo. Passou 10 anos estudando a dialética histórica de Hegel, tempo suficiente para consagrar a ideia de Feuerbach, que Deus é uma criação do homem. Ele usou a equação de Hegel (tese+antítese=síntese) na prática. Ele dizia que a dialética que moveria o mundo é a luta de classes. Nesse momento a teoria da dialética histórica materialista passa a ser ferramenta consciente de “Aceleramento Histórico” aplicado em engenharia e transformação social. Interessante que Karl Marx escreveu seu “Manifesto Comunista” em Manchester, Inglaterra, na John Rylands Library, bem distante da Rússia. Isso quer dizer que as bases ideológicas do comunismo foram criadas dentro de uma antiga biblioteca de um país ocidental! Muito curioso...
A dialética materialista histórica. Uma fórmula que produz o que se chama de “aceleramento histórico”. A ideia é a seguinte: Uma tese, ou tradição, cultura, hábitos vigentes, se depara com uma antítese ou algo antagônico, que contesta, que critica, coloca em xeque essas tradições. Esse encontro gera um inevitável caos, divisão, luta, e a partir desse caos, vem uma nova síntese. O que é essa nova síntese? Eis o perigo! Aristocratas contra plebeus, cristianismo contra burguesia, proletários contra o patriarcado burguês, capitalismo contra comunismo e por aí vai... Quem ganha realmente com isso? A estratégia é clara: dividir para conquistar. A prática de financiar os dois lados de um conflito, tornou-se uma das atividades regulares desses “metacapitalistas”, opondo o capitalismo ao comunismo e ao socialismo, religiões contra religiões e raças contra raças. Os moneychangers, que não têm país, bandeira, hino ou deus, têm o controle em suas mãos.
Eles financiavam um dos lados até que estivesse suficientemente forte e pronto para uma guerra, depois financiavam o lado oposto e deixavam ambos se destruírem até ficarem sem recursos. A solução para ambos os oponentes saírem do fundo do poço em que se haviam atirado era criar mais e mais impostos para satisfazer a ganância e a usura dos argentários.
Não é difícil pintar o quadro real desta fraude. O risco que os moneychangers corriam era mínimo, pois os empréstimos que faziam eram apenas constituídos de cédulas de papel criadas do nada, através do sistema do fractional reserve system (empréstimo sem lastro). A prática se tornou até mais fácil com o advento dos computadores, que simplesmente adicionaram mais zeros às operações. Os cidadãos dos países devedores eram a garantia dos empréstimos enquanto continuavam a pagar seus impostos e estavam submetidos às diretrizes de seus governos estabelecidos. Foi assim que os moneychangers europeus ganharam controle sobre as inocentes massas da civilização do planeta e continuam a detê-lo na atualidade.
Para termos uma ideia da ativa participação dos moneychangers na Primeira Grande Guerra (1914-1918) é preciso entender que o conflito era essencialmente entre a Rússia e a Alemanha. A França e a Inglaterra foram partícipes involuntários. Entretanto, ambos os países tinham membros da família Rothschild no controle de seus bancos centrais, mantendo-os reféns econômicos juntamente com suas colônias ultramarinas. Os moneychangers insuflaram a guerra, financiando todos os lados envolvidos até a exaustão física e material. Depois de quatro anos de derramamento de sangue, os argentários reuniram-se com todos os envolvidos e desenvolveram um sistema de taxação para pagar as dívidas de guerra, que acabaria por desencadear o surgimento do nazismo e a eclosão da II Guerra Mundial, que funcionou da mesma forma.
Outro exemplo foi a grande restrição creditícia do início dos anos 30 causou a quebra da bolsa nova-iorquina de 1929, com impacto em todo o mundo. O presidente Roosevelt acabou por falir a economia americana ao ceder a todos os mandamentos dos moneychangers, inclusive confiscando todo o ouro em poder do público e aplicando severas sanções a quem não o entregasse. Foi assim que surgiu Fort Knox, um dos grandes embustes americanos, famoso na literatura e no cinema por guardar uma imensa fortuna em barras de ouro, mas, que, na realidade, nunca foi auditado desde sua criação há mais de seis décadas e suspeita-se que tenha pouco ou nenhum ouro guardado atualmente, que teria sido enviado aos bancos europeus como garantia de empréstimos.
Dez anos depois do crash, em 1939, todos os players de um lado e de outro do Atlântico estavam tão depauperados que uma nova guerra tornou-se iminente. Os moneychangers, principalmente através do Fed americano, financiaram todos os lados e aguardaram a eclosão do conflito. O projeto Manhattan, que deu aos Estados Unidos a bomba atômica, foi o coup de grâce dos especuladores, viabilizando a emergência dos americanos como primeira potência mundial mas também criou as condições essenciais para a Guerra Fria entre os americanos e a União Soviética, mais um projeto de alta lucratividade para os moneychangers nas décadas seguintes.
A Guerra da Coreia (1950-1953) e do Vietnam (1959-1975) são exemplos das práticas do fractional reserve lending praticada pelos bancos centrais para prover os governos de recursos para custear os conflitos, então já sob controle global dos moneychangers. O assassinato do presidente Kennedy em Dallas, Texas, em 1963, é uma repetição das circunstâncias envolvendo a era de Jesus há 2.000 anos. Ele confrontou os moneychangers e o tribunal Sanhedrin do templo judeu revelando sua ganância monetária e acabou morto. Diante da possibilidade de perder o controle das massas e o direito de cobrar taxas e impostos, os moneychangers agem rápida e violentamente.
Desconhecidos da grande maioria das pessoas no planeta, essas informações estão a clamar uma decisão séria e definitiva da população diante desse cruel sistema de ganância e poder exercido por um pequeno grupo há mais de 300 anos, em contrapartida aos ensinamentos de amor ao próximo, irmandade e amor a Deus professados pela religião. Será que somos suficientemente civilizados para tomar esta decisão de forma adequada, quer individual ou coletivamente, para as futuras gerações? Ou também nós, diante do dinheiro e de todas as oportunidades e do poder que ele oferece, seremos tomados pela ganância e pela usura?
Essa pirâmide de hierarquias é fácil de perceber. A base dessa pirâmide é o povo que trabalha, produz e deve aos governos, e os governos devem aos bancos internacionais particulares. É bem evidente que esses metacapitalistas são criminosos, e ganham com a divisão e o caos. Nossas hierarquias de necessidade, que citei no início du texto, como sobrevivência, afetividade, autoestima e inserção, direta ou indiretamente dependem dessa interface monetarista, onde cada vez mais parece impossível haver estabilidade em todos esses níveis aspiracionais, devido à asfixia do sistema econômico e social causados por essa elite. Não estou falando mal do capitalismo. Antes vivêssemos num sistema capitalista, vivemos num sistema monetário fraudulento de taxação progressiva de imposto por uma elite criminosa feita de pessoas físicas. Esse sistema escraviza governos e nações!
O primeiro passo para o avanço gradual de uma agenda nefasta é a nível filosófico: tirar o Deus pessoal não dual da jogada, como o benquerente de todas as entidades vivas, proprietário de todos os mundos e encher o mundo com filosofia niilista e relativista. Impregnada do conceito de luta de classe e dialética histórica materialista como ferramenta eficaz de fissão social e caos. Daí se tem um cenário “perfeito” para essa minoria criminosa ganhar de todos os lados e avançar com sua agenda sinistra, de acabar com as classes, reduzir a população e transformando todos em ultra pobres, subjugados a uma tecnocracia metacapitalista e corporativista.
“Conforme os três modos da natureza material e o trabalho atribuído a eles, as quatro divisões da sociedade humana são criadas por Mim. E apesar de ser o criador deste sistema, você deve saber que Eu continuo sendo aquele que não age, sendo imutável.”
— Gita 4.13
Estão destruindo todo o legado divino das 4 divisões sociais. Dentro das antigas sociedades védicas, os sistemas viviam em harmonia, no espírito de intercooperação, tendo o Supremo como o epicentro.
Selecione uma das quatro classes védicas acima para investigar como o ecossistema social operava de maneira orgânica e integrada antes do advento do secularismo e da fragmentação industrial moderna.
A classe dos anarquistas era composta pelos brahmanas, que não dependiam de nenhum governante, militar, burocrata, comerciante ou qualquer membro da sociedade, senão que viviam de forma autossuficiente nas florestas. Eram os orientadores da sociedade, exerciam a função de professores, astrólogos, médicos, sacerdotes e outras funções intelectuais. Por uma questão cultural e de bom senso, as outras classes os ajudavam. Os monarcas eram os governantes e militares, reis que só eram santos devido à orientação dessa classe pura bramânica, ou anarquista. Esses monarcas ou monarquistas protegiam essa classe, bem como as outras, como os capitalistas, ou os vaishyas, que eram responsáveis pela produção e pelo comércio. Eles acumulavam a riqueza, porém a distribuíam na forma de imposto para os monarquistas em troca de proteção e liberdade de comércio, e alimentavam e supriam os anarquistas brahmanas em troca de orientação educacional, religiosa e filosófica. Já os comunistas eram a classe dos shudras, conhecidos também como trabalhadores braçais. Eles tinham uma maior mobilidade entre as classes, pois eles serviam a todas as outras classes. Dessa forma, eles cumpriam um papel muito especial, pois, trabalhando bem para um brahmana, um trabalhador braçal poderia adquirir as qualidades de um brahmana; trabalhando bem para um governante, poderia adquirir as qualidades de um bom rei; trabalhando bem para um comerciante, poderia se tornar um hábil capitalista comerciante. Essa classe comunista era bem suprida, o que pacificava suas mentes funcionais. Essa era uma organização social, pré-industrial, sem as complexidades que esses sistemas de usura e filosofias niilistas impõem.
Como podemos ver, essa “elite” global, os 1% da população mundial ou talvez menos que concentra 99% da riqueza do mundo, não possuem bandeira, partido, escrúpulos, muito menos um Deus. A humanidade é um mero gado e massa de manobra para eles. Se um dia eles cresceram com algum fraudulento liberalismo econômico, hoje, eles não têm para onde crescer mais. E medindo pelo tamanho de sua cobiça e ambição, o próximo passo lógico é o controle global, um governo único, mas totalmente apartado dos moldes como conhecemos tradicionalmente, ainda com resquícios de valores de igualdade espirituais e metafísicos. As crises políticas e de soberania que observamos uma atrás da outra, não são por acaso, é uma agenda em curso posta em prática pela instrumentalizada e propagada ideologia niilista da dialética histórica materialista. Pois essas superestruturas nacionais, que envolvem as leis locais, tradições, cultura, sistema político, soberanias nacionais e individuais são a “membrana” que as separa do controle.
Analisemos com honestidade intelectual, hoje já existe o que se chama de capitalismo de vigilância, que é nada mais nada menos que uma infraestrutura de controle global, que monitora nossas informações, ações, gostos, hábitos, nossos dados, senhas, arquivos pessoais, tudo está na nuvem. Estamos distraídos demais com essa própria rede, que entretém. É mais fácil rolar o feed das redes sociais interminável de forma robótica para cima do que questionar.
A narrativa nas redes é cada vez mais homogênea, quem dá uma opinião contrária tende a ser censurado ou cancelado. Os que vão contra a obrigatoriedade de vacina experimental, a uma ditadura sanitária ou contra o estamento, em prol de uma liberdade individual são calados. Tudo em nome da “democracia” e contra as “fake news”.
Já algumas vezes recebi um e-mail do google marcando todos os lugares por onde eu havia passado nos últimos meses, monitorado pelo aparelho de celular. Sabemos que as legislações de privacidade online são atualizadas periodicamente e não sabemos até que ponto real nossos dados podem estar comprometidos ou monitorados. Na China o capitalismo de vigilância é usado abertamente pelo governo para controlar a vida e o pensamento dos cidadãos. A próxima tecnologia de internet 5G é de caráter chinês. Se tem um lugar para testar formas de um governo centralizado não auditável, esse lugar é na China, haja vista que eles não dispensam um bom investimento de capital de metacapitalistas. É bem claro que lá é um capitalismo controlado por um governo central e comunista, “o melhor dos dois mundos” no sentido negativo.
Para aceitarmos como normal essa nova ordem, a cultura, a arte e o cinema são muito importantes para que algo quase que inaceitável em sã consciência, possa ser aceito como um “novo normal”. Um exemplo: o povo assiste à franquia do reality show “Big Brother” há mais de 20 anos, a maioria já tem como normal e até interessante a ideia de observar o comportamento da vida privada de um grupo de pessoas na TV ou na internet, ditando quem merece ou quem não merece ficar no programa. But most of them don't even know that the concept of the “Big Brother” comes from an extremely totalitarian regime, from the science fiction masterpiece “1984” by George Orwell (referenciado no texto original como George Wells), onde um governo central vigia e controla a vida e a percepção dos cidadãos por meio de um sistema tecnológico quase onipresente chamado o “Grande Irmão”. A obra é uma grande referência literária do século XX e fica mais assustadora à medida que sua trama se torna mais real a cada dia que passa. Assim vem sendo com filmes de narrativa apocalíptica, com pandemias globais, guerras cibernéticas, com o homem sendo controlado pela máquina e a inteligência artificial, ou mesmo narrativa que sempre coloca a antítese, o progressismo, o “revolucionário” como pauta vigente, criando mais separatismo e divisão, será que essa repetição desse tipo de tema é falta de criatividade? Acho que não, o objetivo é nos colocar como cúmplices adormecidos dessas ideias e conceitos absurdos. Notícia é o que alguém em algum lugar quer suprimir, o resto é propaganda!
Se puderam financiar guerras com milhões de mortos para lucrar em cima, por que não criariam uma pandemia para lucrar em cima também? O interessante é que esses terríveis eventos não geram apenas o lucro para essa elite criminosa, há também uma grande ruptura com o mundo antigo, rumo a uma nova ordem, seja a nível perceptivo ou estrutural. É a dialética histórica materialista em ação. Por exemplo, na primeira guerra mundial houve o fim de todas as monarquias europeias, como sistema de governo, ascensão da revolução comunista como modelo de governança estatal e a propaganda ideológica, no rádio, cinema e artes gráficas. Na segunda guerra mundial, a divisão econômica, política e ideologicamente em dois grupos globais, entre capitalistas e comunistas, a criação do estado de Israel, a Organização das Nações Unidas, como um “rascunho” de uma nova ordem mundial e, claro, a criação do Banco Mundial, para empréstimo aos países pobres ou afetados pela guerra, afinal eles ganham de qualquer um dos lados.
Hoje, praticamente todos os países possuem dívidas externas, que só aumentam com esses bancos internacionais, que definitivamente não pertencem a nenhum país. Isso afeta diretamente nossas vidas socioeconômicas.
Trazendo para a atualidade, está em curso um processo de engenharia social e mudança de perception social. Em nome de “segurança” sanitária, cedemos liberdade, com lockdown, passaportes sanitários, vacinas experimentais obrigatórias. Quando aderimos a um protocolo achando que estamos nos encaixando num sistema politicamente correto, perdemos o embate na base da retórica sem questionar. Quando colocamos a máscara para permitir nosso ir e vir, deixamos de ter liberdade como princípio soberano e passamos a ter concessões, perdemos a liberdade sem precisarem levantar uma arma, apenas baseados no medo e na desinformação.
“Qualquer sociedade que renuncie a um pouco da sua liberdade para ter um pouco mais de segurança, acabará por perder ambas.”
— Benjamin Franklin
Há muitas provas, indícios, estudos de todo esse crime contra a humanidade. Isso você não estudou na escola, pois o que aprendemos é sempre baseado no princípio da dialética histórica materialista e do marxismo cultural, que estimula a cisão e o separatismo. Estão aí a escola de Frankfurt e o gramscismo implementados no decorrer das últimas décadas nas academias para comprovar.
Fica a pergunta: Vamos acordar para a realidade espiritual e não dual de Deus, como base da moralidade e anatomia da vida, que está morando em todos os corações de forma indiscriminada ou vamos agir como se nossas ações fossem desprovidas de sentido existencial, negligenciando a vida nas outras entidades viventes e Deus morando no coração delas?
Somos Gado por que Comemos o Gado?
Todos temos o que merecemos e nossa escolha entre esses dois paradigmas vai definir se merecemos nos libertar ou nos escravizar por forças sinistras maiores, porque simplesmente estaremos agindo assim com forças “menores”, as outras espécies. Afinal, 4 milhões de animais estão morrendo todos os dias no planeta para a satisfação do nosso paladar.
"Se estamos produzindo um holocausto global especista, o que nos garantirá que não sofreremos um holocausto humano globalista?"
O mestre Srila Prabhupada dizia que enquanto comermos violência, não haverá paz.
Posso afirmar categórica e cientificamente: toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto (terceira lei de Newton). A ação e a reação, a lei do karma é universal, que já foi até catalogada pela ciência. Podemos ampliar esse conceito com evidências escriturais:
Temos livre-arbítrio ou “preso-arbítrio”?